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Pesquisa aplicada

Captura de CO₂ em Chaminés Industriais

Pesquisa da UFPE mapeia tecnologias e desafios para reduzir emissões em setores de difícil descarbonização.

Pesquisador operando equipamentos em laboratório durante estudo sobre captura de dióxido de carbono

Apresentação

A redução das emissões de gases de efeito estufa é um dos maiores desafios do século, especialmente para indústrias onde a descarbonização é complexa. Para enfrentar esse problema, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) concluíram recentemente o projeto “Captura de CO₂ em Chaminés Industriais: Tecnologias, Desafios e Soluções”, que traçou um panorama abrangente sobre as tecnologias mais eficientes para barrar a poluição direto na fonte.

Apoiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), o estudo realizou uma varredura rigorosa na produção científica mundial entre 2015 e 2025. O objetivo foi entender quais tecnologias estão sendo desenvolvidas, os desafios para sua aplicação e como elas podem ser implementadas para capturar o dióxido de carbono antes que ele atinja a atmosfera.

Tecnologias em destaque

A pesquisa analisou dezenas de abordagens e selecionou 54 estudos fundamentais para compor sua base de dados. Durante o levantamento, a equipe científica identificou sete rotas tecnológicas distintas para a captura de carbono. Entre as mais proeminentes estão a utilização de sorventes à base de cálcio (ciclo de cálcio), a adsorção sólida e a absorção química. O estudo destacou também que, embora a eficiência de algumas dessas tecnologias, como a absorção com aminas, possa ultrapassar 90%, ainda existem desafios importantes a serem superados, como a alta demanda de energia e a dependência elétrica nessas operações em larga escala.

Impacto e inovação

Mais do que uma revisão teórica, o projeto liderado pelo coordenador geral Prof. Dr. Rômulo Simões Cezar Menezes, com orientação técnica do Prof. Dr. Gilson Lima da Silva e execução da pesquisadora Laíza Bianca da Cunha Torres, gerou ferramentas práticas. A equipe estruturou uma base técnico-científica e capacitou-se no uso do software SimaPro, essencial para realizar a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Isso significa que o grupo agora possui infraestrutura para calcular não apenas o quanto de CO₂ uma tecnologia captura, mas também o seu real impacto ambiental de ponta a ponta.

Próximos passos e parcerias industriais

Com os resultados, que já estão sendo estruturados para publicação em um artigo científico de alto impacto, o projeto abre portas para o futuro. Os resultados obtidos estabelecem uma base sólida para o desdobramento do estudo em nível de pós-graduação, incluindo dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Além do meio acadêmico, o conhecimento gerado está pronto para transpor os muros da universidade. A expectativa é que as informações subsidiem aplicações industriais reais, auxiliando empresas na escolha das melhores tecnologias de captura e fomentando novas parcerias entre a UFPE e o setor produtivo, visando validar essas soluções em condições reais de operação.